Revista Brasil Energia | Bahia Oil & Gas Energy 2026

Brava Energia foca em eficiência no onshore e planeja campanha intensiva para 2027

Sob a liderança operacional de Jorge Boeri no onshore, companhia expande comercialização de gás na Bahia, consolida uso de tecnologias de recuperação e projeta fortalecimento com a chegada da Ecopetrol

Por Rosely Maximo

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Em entrevista à Brasil Energia durante o Bahia Oil & Gas Energy 2026, o diretor de onshore da Brava Energia, Jorge Boeri, detalhou os impactos da possível mudança de controle acionário, a atual alocação de investimentos entre os ambientes terrestre e marítimo, e as inovações em curso para aumentar o fator de recuperação dos campos. Os principais destaques da conversa foram:

  • Chegada da Ecopetrol como Controladora: Questionado sobre a Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pela colombiana Ecopetrol, Boeri explicou que a petroleira estatal da Colômbia firmou um acordo privado para adquirir 26% das ações e busca atingir 51% para se tornar a controladora. Ele avaliou o movimento de forma muito positiva, destacando que a Ecopetrol trará robustez financeira, tecnologia e uma vasta experiência em operações onshore, representando uma grande oportunidade de desenvolvimento para a Brava e seus funcionários.

  • Alocação de Capex entre Offshore e Onshore: O executivo explicou que em 2026 a Brava está concentrando a maior parte de seu Capex no ambiente offshore, com uma campanha profunda de perfuração de quatro poços (dois no campo de Atlanta e dois em Papa-Terra). Em função desse teto alto de investimentos no mar, o plano para o onshore este ano está focado em uma intensa campanha de workover (manutenção e intervenção), com a previsão de cerca de 170 intervenções entre a Bahia e o Rio Grande do Norte.

  • Retorno da Perfuração Intensiva no Onshore em 2027: Embora o ano atual priorize intervenções, Boeri revelou que a Brava perfurará um poço exploratório em São Miguel (Rio Grande do Norte) com foco em gás. Para 2027, o plano prevê a retomada de uma campanha de perfuração terrestre altamente agressiva e constante, projetando cerca de 20 poços na Bahia e 80 no Rio Grande do Norte, a depender do andamento dos licenciamentos ambientais.

  • Evolução e Comercialização Inédita de Gás: Boeri celebrou o marco de 5 anos de operação na Bahia, período no qual a empresa conseguiu dobrar a produção local de gás. Entre as novidades comerciais, destacou que o campo de Socorro — que antes reinjetava o gás por estar isolado e sem conexão com gasodutos — passará a gerar receita e royalties por meio de um projeto de GNL (Gás Natural Liquefeito), transportando cerca de 6.000 m³/dia por carretas para uma distribuidora. Além disso, para contornar gargalos de escoamento na UPGN da Petrobras em Catu, a Brava está desenvolvendo um projeto próprio para tratar o gás diretamente em Candeias.

  • Tecnologias Avançadas de Recuperação (EOR): Para elevar o fator de recuperação dos campos maduros, a Brava está massificando a injeção de nitrogênio em campos de óleo pesado após o sucesso de três projetos-piloto. Para o ano corrente, Boeri anunciou o início de testes com injeção de polímeros no campo de Salina Cristal e um piloto de Organic Recovery (injeção de nutrientes para alimentar bactérias nativas do reservatório) no campo de Canto do Amaro, após resultados promissores em laboratório.

  • Drones e Inteligência Artificial: No campo da eficiência e segurança operacional, o diretor destacou que a empresa já utiliza três drones (dois no RN e um na Bahia) integrados com inteligência artificial. As aeronaves percorrem os campos coletando dados e identificando anomalias ou vazamentos de forma automatizada e rápida.

  • Visão de Longo Prazo e Integração: Defendendo um crescimento sustentável e planejado ("sem grandes pulos que depois somem"), Boeri detalhou que a produção atual do onshore está na casa de 28.000 a 30.000 barris de óleo equivalente por dia (boe/d). Ele concluiu orgulhando-se do modelo de negócios da Brava que, ao atuar desde a produção de óleo e gás até o refino e venda de derivados (como querosene de aviação, gasolina e diesel), funciona como uma verdadeira "mini Petrobras", sendo a única petroleira privada totalmente integrada no país.

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