Firjan mira indústria naval e alerta para impacto do Custo Rio
Firjan mira indústria naval e alerta para impacto do Custo Rio
Presidente da federação, Luiz Césio Caetano, aponta a urgência de reduzir ineficiências tributárias e diz que está em negociações com o governo estadual para viabilizar a integração de módulos de plataformas nos estaleiros do estado
A cadeia de petróleo e gás é o principal motor da economia do Rio de Janeiro e seu fortalecimento passa por medidas em tributação, infraestrutura, formação de mão de obra e regulação.
O diagnóstico foi detalhado por Luiz Césio Caetano, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), durante entrevista ao programa As Lideranças Empresariais, da Brasil Energia.
À frente da federação desde outubro de 2024, ele comanda um ciclo expressivo de expansão: após investir R$ 143 milhões em 2025, a Firjan prevê ampliar esse volume para R$ 210 milhões em 2026, com abertura e remodelação de unidades do Sesi e Senai em 22 municípios fluminenses.
A agenda prioritária de sua gestão envolve desde a competitividade fiscal do estado até o acesso ao gás natural, a expansão da indústria naval para frentes como descomissionamento e integração de módulos de FPSOs e a defesa dos royalties no STF.
Veja os principais pontos da entrevista:
Custo Rio e ambiente de negócios: A Firjan quantificou o impacto das ineficiências estruturais do estado: R$ 275 bilhões por ano, equivalentes a 20% do PIB fluminense. O levantamento, batizado de "Custo Rio", segue metodologia similar ao "Custo Brasil" e aponta a tributação elevada, o custo judiciário e os R$ 13 bilhões anuais gerados pela insegurança pública como os principais vetores de perda de competitividade. O estado ocupa a 13ª posição no ranking de carga tributária entre as unidades da federação.
Integração e Rede de Fornecedores: Por meio do programa "Rede de Oportunidades para Fornecedores", que já soma 23 mil interessados, a Firjan atua para conectar a capacidade da indústria local às exigências das operadoras, garantindo que o desenvolvimento econômico fique ancorado no estado.
Indústria naval e descomissionamento: O Rio de Janeiro possui capacidade instalada para atender às novas demandas da indústria naval — reparo, manutenção, integração de módulos e, agora, descomissionamento de plataformas. A Firjan trabalha junto à Secretaria de Fazenda estadual para viabilizar a integração de módulos no próprio estado, atividade que representa cerca de 15% do valor de investimento em um FPSO.
Margem Equatorial e exportação de conhecimento: A federação mantém convênios de cooperação técnica com estados do Amapá, Pará e Maranhão para compartilhar o modelo fluminense de desenvolvimento da cadeia de O&G. A perspectiva é que fornecedores do Rio atuem na Margem Equatorial nas mesmas frentes em que já operam nas bacias de Campos e Santos, à medida que a exploração naquela região avançar.
Gás natural com mais acesso: O Rio produz muito mais gás do que entrega ao mercado, mas a indústria ainda enfrenta barreiras regulatórias, infraestrutura insuficiente de redes de distribuição, custo elevado da molécula e ausência de um mercado livre de gás plenamente funcional no estado — fatores que reduzem a competitividade e afastam novos investidores industriais.
Royalties e constitucionalidade: A Firjan acompanha o julgamento suspenso no STF sobre a redistribuição de royalties e participações governamentais. Na avaliação de Caetano, os royalties não são tributos, mas compensações constitucionais pelos riscos ambientais e operacionais assumidos pelos estados produtores. Ele lembra ainda que o Rio já transfere cerca de R$ 64 bilhões por ano em ICMS para estados não produtores, via recolhimento no destino do petróleo processado.
Formação de mão de obra para O&G: O Senai do Rio de Janeiro coordena nacionalmente o programa Autonomia e Renda da Petrobras, que já qualificou quase 13 mil pessoas em cerca de oito estados. Outra iniciativa, a Universidade Corporativa em parceria com a Petrobras, capacitou mais de 10 mil profissionais. A Firjan mantém portfólio atualizado de cursos e certificações por meio de comitê setorial permanente de escuta da indústria.
Diversificação energética: Caetano vê o futuro energético do Rio como um modelo de integração, não de substituição. Biocombustíveis, energia nuclear e eólica devem se somar ao petróleo e ao gás, e não competir com eles. O petróleo permanece como ativo estratégico — não apenas como insumo, mas como multiplicador de riqueza e indutor de inovação tecnológica.
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