Revista Brasil Energia | ROG.e 2026

Petrobras reforça SAF, descarta risco de diesel e deve anunciar parceria no etanol até o fim do ano

Angélica Laureano, diretora de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, detalha planos para ampliar produção de SAF, garante abastecimento de diesel e deve anunciar até o fim do ano uma parceria para reentrada no setor de etanol

Por Rosely Maximo

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A Petrobras estruturou sua logística e parque de refino para cumprir as metas do Combustível do Futuro e assegurar o abastecimento doméstico em meio a tensões geopolíticas internacionais. Na frente de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF), a companhia obteve a recertificação da Reduc sob as diretrizes do programa internacional Corsia — comprovando 90% de redução na pegada de carbono via coprocessamento — e avança nos trâmites para certificar a Replan e a Regap até o início de 2027.

Em entrevista à Brasil Energia durante a ROG.e, a diretora de Logística, Comercialização e Mercados da estatal, Angélica Laureano, descartou qualquer risco de desabastecimento de diesel no país. Para fazer frente ao pico de demanda do agronegócio em outubro e à manutenção programada da Repar (PR), a companhia antecipou a compra de cerca de 650 mil m³ de diesel importado e opera seu parque com fator de utilização elevado. A executiva também detalhou a aprovação da planta dedicada (rota HEFA) na RPBC (SP), estudos de viabilidade para um novo duto de Paulínia ao Centro-Oeste e negociações para reentrar no mercado de etanol via sociedade estratégica.

Veja os principais destaques da entrevista:

Avanço regulatório e certificação de SAF

A Reduc (RJ) concluiu a auditoria de recertificação internacional do Corsia, atestando 90% de redução nas emissões de gases de efeito estufa para o querosene sustentável coprocessado. O processo de certificação segue em andamento na Replan (SP) e na Regap (MG) para assegurar o atendimento à meta mandatória de 1% de SAF em 2027.

Modelo Book and Claim e parcerias

Em alinhamento com a Embraer e ministérios setoriais, a petroleira apoia a adoção do sistema contábil de compensação (book and claim), viabilizando o consumo físico do combustível sustentável nas imediações das refinarias e a transferência contratual do atributo verde para companhias aéreas que operam em aeroportos distantes.

Rotas tecnológicas dedicadas

Além do coprocessamento nas unidades existentes, a Petrobras aprovou a decisão final de investimento para uma unidade 100% dedicada à produção de diesel verde (HVO) e SAF pela rota HEFA na RPBC, em Cubatão (SP). Seguem em fase de estudo conceitual uma segunda unidade HEFA no Complexo Boaventura (antigo Comperj) e uma planta de alcohool to jet (ATJ) na Replan.

Garantia de abastecimento de diesel e safra

Laureano refutou rumores sobre desabastecimento no mercado doméstico, onde a estatal responde por cerca de 70% das entregas. Para atender ao pico da safra de grãos em outubro e compensar a parada de manutenção programada na Repar, a empresa importou antecipadamente 650 mil m³ de diesel. O parque refinador opera próximo ou acima de 100% da capacidade nominal.

Meta de autossuficiência e refino

O plano corporativo até 2030 mantém o foco em autossuficiência de diesel por meio da ampliação e modernização de unidades existentes (como o segundo trem da Rnest), descartando a construção de novas refinarias convencionais. No segmento de biodiesel, a subsidiária PBIO planeja a reativação da planta de Quixadá (CE) e ampliou exportações do biocombustível obtido a partir de óleo de milho.

Reentrada no mercado de etanol

A Petrobras negocia ativamente com produtoras sucroalcooleiras e tem como expectativa anunciar até o fim do ano uma parceria estratégica de peso societário no setor de etanol, recusando a condição de mera investidora financeira minoritária.

Veja a entrevista na íntegra aqui.

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