Energia solar transforma realidade de estudantes de comunidade do Amazonas
Energia solar transforma realidade de estudantes em comunidade ribeirinha
Projeto reaproveita tecnologia e garante aulas em escola de São José do Tupé, a 25 km de Manaus
O acesso à energia elétrica é realidade para milhões de brasileiros, mas o fornecimento ainda enfrenta desafios significativos nas áreas mais remotas do país, a exemplo disso, comunidades ribeirinhas na Amazônia, que precisaram pensar em alternativas para driblar as dificuldades que englobam o abastecimento.
A região tem características específicas ligadas à distância, logística e expansão da rede elétrica. Diante desse cenário, é preciso construir caminhos próprios para garantir o funcionamento de serviços básicos.
Na comunidade São João do Tupé, distante 25 quilômetros de Manaus, no Amazonas, a dificuldade de acesso à energia elétrica teve consequências dentro da sala de aula. Alunos chegaram a ficar dias sem estudos devido à falta de eletricidade.
O problema pedia uma solução imediata, e a partir daí nasceu uma alternativa que transformou a vida da comunidade: a utilização de equipamentos e aparelhos eletrônicos esquecidos para criar um sistema funcional de energia solar capaz de manter o básico e essencial em funcionamento.
Idealizado pelo professor e pesquisador Clércio de Almeida, o projeto em exposição durante o evento ‘Amazonas, gás, óleo e energia’, em Manaus, mostra como a transição energética na Amazônia pode surgir de soluções simples, criativas e adaptadas à realidade local.
“As comunidades ribeirinhas sofrem muito com esse problema de abastecimento de energia elétrica. Encontrei alguns equipamentos que estavam quase obsoletos. Então eu pensei na possibilidade de reaproveitá-los, porque eu já vinha com pensamento de energia sustentável há algum tempo. Como eu tinha conhecimento das placas solares, eu vi que dava para aproveitar para manter as necessidades básicas da escola, principalmente o abastecimento de água, que daí com a água a gente continua a alimentação das crianças. O preparo do lanche, a limpeza da escola e a água para as descargas dos sanitários, que são necessidades básicas”, contou.
Clércio explica, ainda, que era difícil até mesmo manter ventiladores ligados e equipamentos mais pesados em funcionamento.
“Eu vi que era possível aproveitar esses materiais e foi assim que foi pensado o projeto, com o objetivo de implementar esse sistema. Utilizando placa solar, bateria e o inversor e o controlador de carga, a gente conseguiu manter as atividades e ocorreu tudo bem. O maior benefício, foi, sem dúvidas, a não suspensão das aulas. Antes acontecia de não ter aula por falta de energia, e isso não acontece mais”, compara.
Inovação adequada à realidade local
A prioridade era garantir o básico: bombeamento de água, preparo da merenda escolar, limpeza, funcionamento dos sanitários, uso de ventiladores e lâmpadas. O objetivo não só funcionou, como também se tornou uma alternativa que impactou diretamente e para o bem a comunidade escolar.
O exemplo vivenciado dentro da escola São João do Tupé ilustra a urgência em planejar e executar projetos que garantam energia confiável à Amazônia profunda. Para enfrentar os desafios logísticos e as limitações da região, soluções diferenciadas como a geração solar local ganham força e mudam a realidade dentro desses locais.
Além de reduzir a dependência de redes instáveis, esses sistemas aumentam a autonomia das comunidades, reduzem custos operacionais no longo prazo, diminuem impactos ambientais e fortalecem a comunidade local
A experiência no Tupé também dialoga com um movimento mais amplo do setor energético: a busca por soluções alinhadas a critérios ambientais, sociais e de governança. O projeto mostra que a inovação nem sempre está em grandes tecnologias, mas na capacidade de adaptação.



