Revista Brasil Energia | ROG.e 2026

Atração de talentos na engenharia offshore vai além do fóssil

Guilherme Maximo analisa a percepção de jovens universitários sobre o setor, a interdisciplinaridade tecnológica em robótica submarina e as sinergias com novas indústrias no mar

Por Rosely Maximo

Compartilhe Facebook Instagram Twitter Linkedin Whatsapp

O debate sobre a atração e retenção de jovens talentos na indústria de óleo e gás tem sido influenciado menos pela aversão aos combustíveis fósseis e mais pela evasão geral de estudantes de engenharia para áreas como mercado financeiro e desenvolvimento de software. A avaliação é de Guilherme Maximo, estudante em fase de conclusão de curso na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e assistente de sistemas de automação na empresa de engenharia submarina Oceânica.

Em entrevista à Brasil Energia durante a ROG.e, Maximo relatou que o interesse de futuros engenheiros pelo ambiente offshore tem sido impulsionado pela sofisticação tecnológica e pela crescente interdisciplinaridade, com maior integração entre mecatrônica, engenharia elétrica e ciência da computação. O futuro engenheiro destacou ainda a ampliação de oportunidades de estágio no Rio de Janeiro e ressaltou que as competências desenvolvidas em robôs submarinos (ROVs) e sistemas navais possuem sinergia direta com novas atividades marítimas, como eólica offshore, solar flutuante e mineração submarina.

Veja os principais destaques da entrevista:

Diagnóstico sobre a fuga de talentos

Diferentemente do discurso frequente sobre rejeição ambiental à matriz fóssil, o entrevistado pontua que o principal gargalo entre universitários é o desinteresse pela prática de engenharia tradicional ("mão na massa"), motivado pela migração precoce de formandos para o setor financeiro e para a área de tecnologia da informação.

Interdisciplinaridade e robótica submarina

A indústria offshore deixou de ser restrita à engenharia mecânica convencional, incorporando forte demanda por automação, inteligência artificial e telecomunicações. Esse ecossistema tem atraído estudantes interessados no desenvolvimento e operação de veículos submarinos operados remotamente (ROVs) e sistemas de controle para FPSOs.

Mercado de trabalho e estágio no Rio de Janeiro

A concentração de centros de pesquisa, operadoras e empresas prestadoras de serviços submarinos no estado (com bases na capital, Ilha do Fundão e Niterói) mantém um fluxo contínuo de oferta de vagas de estágio, aproximando os estudantes das operações práticas de campo.

Sinergias de longo prazo na economia do mar

O aprendizado em engenharia submarina e robótica offshore é visto como uma base técnica duradoura e transferível. Mesmo diante de uma desaceleração futura da produção de petróleo, as tecnologias marítimas continuarão sendo demandadas em áreas emergentes, como instalações eólicas e solares offshore, biologia marinha e mineração de profundidade.

Comparativo educacional Brasil-Japão

A partir de experiência de intercâmbio acadêmico em engenharia no Japão, Maximo ressaltou que o ensino brasileiro em mecatrônica e robótica está em patamar equivalente ao internacional. O país asiático também enfrenta o mesmo desafio demográfico e vocacional de perda de interesse das novas gerações por carreiras técnicas e exatas.

Veja a entrevista na íntegra aqui.

Veja outras notícias sobre rog.e 2026

Últimas