Revista Brasil Energia | ROG.e 2026

Modec opera 27% do óleo nacional e realça integridade no pré-sal

Fernando Siqueira detalha a construção de novos FPSOs, a redução da intensidade de carbono em plataformas e a demanda por unidades de manutenção para extensão de vida útil

Por Rosely Maximo

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Com 12 navios-plataforma (FPSOs) e uma unidade de armazenamento (FSO) em operação no país, a japonesa Modec responde por aproximadamente 27% de toda a produção de petróleo do Brasil. A subsidiária brasileira consolidou-se como a maior operação do grupo global, concentrando mais de 3 mil colaboradores — cerca de metade de seu quadro mundial — com índice de nacionalização de mão de obra de 95%.

Em entrevista à Brasil Energia durante a ROG.e, o diretor técnico da Modec do Brasil, Fernando Siqueira, abordou a construção em andamento dos FPSOs Gato do Mato (Shell) e Raia (Equinor), avaliando os desafios logísticos da cadeia naval e a integração de módulos no país e no exterior. O executivo apontou ainda a redução da intensidade de carbono para patamares abaixo de 10 kg de CO₂ por barril nas novas unidades do pré-sal, o preparo para futuras campanhas na Margem Equatorial e a relevância de unidades de manutenção e segurança (flotéis/UMSs) para preservar a integridade mecânica de ativos operando sob alta corrosividade.

Veja os principais destaques da entrevista:

Relevância do Brasil no portfólio global

Presente no país desde 2003, quando iniciou a operação do FPSO Fluminense na Bacia de Campos para a Shell, a Modec tem no Brasil sua principal base internacional. Dos mais de 6 mil funcionários globais, mais de 3 mil atuam no mercado doméstico, onde a empresa opera 12 FPSOs e um FSO com equipe 95% composta por brasileiros.

Projetos em construção e estratégia de integração

A companhia conduz a construção dos FPSOs para os projetos Raia (Equinor) e Gato do Mato (Shell). A decisão sobre o local de fabricação e integração de módulos e cascos equilibra complexidade técnica, custo, confiabilidade de cronograma (schedule) e a disponibilidade de diques e vagas (slots) em estaleiros nacionais frente a complexos na Ásia.

Descarbonização e redução de emissões

Enquanto a média global de intensidade de carbono em projetos de E&P gira em torno de 20 kg de CO₂ equivalente por barril, a média brasileira situa-se em 14 kg. Nas unidades mais recentes projetadas pela Modec para o pré-sal, investimentos adicionais em eficiência e redundância tecnológica permitiram alcançar marcas entre 9 e 10 kg de CO₂e/boe.

Formação, retenção e exportação de talentos

Diante do ritmo acelerado de entrega de plataformas — cada uma exigindo cerca de 150 profissionais dedicados —, a companhia aposta na formação interna em parceria com universidades e escolas técnicas. A maturidade técnica da operação brasileira viabilizou a exportação de mão de obra qualificada para projetos da empresa na Guiana, México e África, além de engenheiros de operação alocados na fase de design de novos contratos EPC.

Perspectivas na Margem Equatorial

A Modec monitora as campanhas de delimitação e exploração na nova fronteira marítima, afirmando que a indústria nacional dispõe de rigor técnico e ambiental comprovado para atender com segurança às futuras demandas de afretamento na região.

Integridade mecânica e demanda por flotéis (UMSs)

O ambiente operacional do pré-sal impõe índices de corrosividade superiores aos de bacias maduras como o Mar do Norte. Para sustentar a integridade de unidades que operam por 20 a 30 anos e viabilizar pedidos de extensão de concessão, cresce a contratação de unidades flutuantes de suporte (flotéis/UMSs), capazes de abrigar até 350 técnicos dedicados exclusivamente a campanhas de revitalização e manutenção pesada no mar.

Veja a entrevista na íntegra aqui.

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