Vallourec investe R$ 3 bi no Brasil e vira hub global premium
André Lacerda detalha o contrato integral de OCTG com a Petrobras, a produção de tubos sem costura em Minas Gerais e novas tecnologias de isolamento térmico e completação
Com 74 anos de presença contínua no país, a fabricante de tubos de aço sem costura Vallourec consolidou o Brasil como seu principal polo exportador e tecnológico de soluções premium de alta criticidade para a indústria de óleo e gás. A estratégia ganhou tração a partir de 2022, quando o grupo francês encerrou suas plantas fabris na Europa e transferiu a manufatura de seus produtos mais sofisticados para as unidades industriais instaladas em Minas Gerais e no Espírito Santo, ciclo acompanhado por investimentos de cerca de R$ 3 bilhões entre 2022 e 2026.
Em entrevista à Brasil Energia durante a ROG.e, o presidente da Vallourec para a América do Sul, André Lacerda, destacou a entrada em vigor de um novo contrato de longo prazo (2026 a 2028) para o fornecimento de 100% da demanda de tubos de completação (OCTG) e serviços da Petrobras no pré-sal e na Margem Equatorial. O executivo também detalhou a ampliação da fábrica em Serra (ES) para aplicar a resina patenteada da ExxonMobil em tubulações submarinas (line pipe), os testes de campo da tecnologia Cleanwell em Búzios e a prontidão da cadeia nacional para atender a projetos não convencionais na América do Sul.
Veja os principais destaques da entrevista:
Brasil como hub global de tubos premium
Dos 12,5 mil colaboradores do grupo no mundo, cerca de 7 mil atuam na América do Sul, concentrados nas operações brasileiras. Após o fechamento das unidades industriais europeias em 2022, o complexo fabril em Minas Gerais (Belo Horizonte e Jeceaba) passou a responder pela manufatura integrada — do aço ao acabamento de tubos sem costura — voltada a poços sob condições extremas de pressão, colapso e corrosão.
Ciclo de investimentos de R$ 3 bilhões
Entre 2022 e 2026, a companhia alocou aproximadamente R$ 3 bilhões na modernização de seus parques produtivos em Minas Gerais, Rio de Janeiro (base logística e de serviços de pré-embarque) e Espírito Santo (revestimento e isolamento térmico de dutos).
Contrato integral de OCTG com a Petrobras
A empresa assinou contratos de bens e serviços com vigência entre 2026 e 2028 para atender à totalidade das necessidades de tubos de revestimento (casing) e produção (tubing) da estatal em todas as bacias marítimas, incluindo Bacia de Santos, Bacia de Campos e eventuais perfurações na Margem Equatorial.
Expansão em line pipe e parceria com ExxonMobil
Para atender às linhas submarinas (line pipe) de projetos como Atapu 2, Raia (Equinor) e campos da ExxonMobil na Guiana, a Vallourec ampliou a unidade de Serra (ES). A planta recebeu investimentos recentes para industrializar em primeira mão global a tecnologia de resina anticorrosiva e isolamento térmico Proxima Goldlocks, licenciada pela petroleira norte-americana.
Inovações em completação e escoamento
- Cleanwell: Revestimento seco de conexões que elimina o uso de graxa de armazenagem e de descida no convés das plataformas, reduzindo tempo de sonda, riscos de contaminação e exposição humana. O primeiro piloto na América do Sul está programado para o campo de Búzios.
- Submagnético: Linha com superímãs integrados para otimizar o fluxo de fluidos no interior da tubulação, lançada em edições anteriores da feira e já integrada à malha de poços em operação no país.
Atuação em reservatórios não convencionais
Com larga experiência no fornecimento para operações de xisto (shale) na América do Norte, a companhia acompanha o aumento de demanda na formação de Vaca Muerta (Argentina) e manifestou prontidão técnica para fornecer tubulações de alto torque e resistência mecânica caso o Brasil avance na exploração de reservatórios não convencionais terrestres.
Veja a entrevista na íntegra aqui.
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