Revista Brasil Energia | ROG.e 2026

BR Offshore projeta hub de reciclagem naval em Barra do Furado

Ricardo Vianna detalha o licenciamento da base no Norte Fluminense, a busca por recursos do FMM, o mercado de acostamento temporário e os gargalos fiscais do Repetro

Por Fernanda Nunes

Compartilhe Facebook Instagram Twitter Linkedin Whatsapp

A BR Offshore prepara a implantação de um hub industrial dedicado exclusivamente ao acostamento, descomissionamento e reciclagem sustentável de grandes embarcações e plataformas marítimas em Barra do Furado, no Norte Fluminense. O empreendimento, que obteve reconhecimento de caráter prioritário pelo governo do Estado do Rio de Janeiro, concluiu seu projeto executivo e tramita no Inea a averbação da licença de implantação com acréscimo de área e a inclusão de uma rampa de corte de cascos.

Em entrevista à Brasil Energia durante a ROG.e, o presidente da empresa, Ricardo Vianna, afirmou que as obras devem começar no início do próximo ano, com prazo de 24 a 26 meses, mas a prontidão para o acostamento de unidades pode ser antecipada para reduzir os custos operacionais de ativos parados e tripulados no mar. O executivo apontou ainda a estruturação de linhas de crédito com o Banco Fator e o Fundo da Marinha Mercante (FMM), além de alertar para a necessidade de votação célere de projetos no Congresso que ratifiquem a Convenção de Hong Kong e eliminem riscos tributários de desembaraço aduaneiro e do Repetro.

Veja os principais destaques da entrevista:

Concepção e localização em Barra do Furado

O projeto nasceu em 2012 e adquiriu área contígua ao Canal das Flechas, próxima à Bacia de Campos e a polos universitários. O terminal foi redimensionado para atender à demanda de fim de ciclo de vida de FPSOs e semissubmersíveis no país e no Atlântico Sul, desenhado para evitar o envio dessas estruturas a estaleiros da Turquia ou norte da Europa.

Licenciamento executivo e rampa de corte

A empresa concluiu o projeto executivo e submeteu ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea) a averbação da licença de implantação, incorporando terrenos vizinhos e uma rampa especializada para desmantelamento de cascos. Com a declaração de projeto estratégico estadual, a expectativa é iniciar a mobilização civil no começo de 2027.

Urgência no acostamento provisório

Operadoras como a Petrobras enfrentam escassez de cais adequados para receber plataformas desmobilizadas, cujo custo de manutenção tripulada offshore é elevado. O cronograma da BR Offshore prevê disponibilizar berços de atracação antes da conclusão total das obras marinhas (enrocamento), operando o serviço de guarda temporária.

Arcabouço regulatório e convenção internacional

O setor acompanha o Projeto de Lei 1584/2024 e a tramitação da ratificação brasileira à Convenção de Hong Kong pela IMO. A formalização legal é indispensável para habilitar o Brasil a receber ativos estrangeiros e padronizar o manuseio de inventários de materiais perigosos (IHM).

Solução tributária para o Repetro

Vianna alertou para a urgência de aprovar normas alfandegárias claras que isentem ou suspendam impostos sobre cascos e equipamentos importados sob regime de admissão temporária (Repetro) que venham a ser reciclados internamente, eliminando o contrassenso de obrigar a reexportação de sucata.

Economia circular e siderurgia verde

A reciclagem local de aço naval atende à crescente demanda de usinas siderúrgicas nacionais por sucata ferrosa para rotas elétricas de baixa pegada de carbono, contornando a dependência de importações e a escassez global do insumo. Componentes de topside, como guinchos e geradores de hotelaria, serão reinseridos em cadeias de reuso e manutenção.

Vantagem logística fluminense e modelo de negócios

O Rio de Janeiro reúne estaleiros, fornecedores metalmecânicos, parques siderúrgicos e proximidade às bacias de Campos e Santos. A empresa estruturou sua governança para operar em diversos modelos comerciais: prestação de serviço de corte com taxa de desmonte, compra integral do ativo ou partilha de receitas geradas pela venda do aço e equipamentos reaproveitados.

Estrutura de financiamento

Com apoio societário do Banco Fator na estruturação de linhas privadas (credit facilities), a BR Offshore reapresentará o pedido de financiamento ao Fundo da Marinha Mercante (FMM), avaliando complementar o plano de capital com bancos públicos de desenvolvimento e agências de crédito à exportação.

Veja a entrevista na íntegra aqui.

Veja outras notícias sobre rog.e 2026

Últimas