Siemens mira offshore com automação integrada e relés virtuais
Fábio Koga detalha a estratégia de fornecimento ponta a ponta, a virtualização de até 60 relés de proteção em servidores e os ganhos em espaço, peso e emissões em plataformas
A Siemens estruturou um reposicionamento estratégico para atuar como fornecedora direta e integrada de soluções de eletrificação, automação e digitalização para o mercado de óleo e gás no Brasil. A abordagem cobre desde a concepção inicial com simulações e gêmeos digitais até o descomissionamento de ativos, unificando sistemas elétricos, controle de processos e telecomunicações em um único interlocutor tanto para plantas offshore quanto para refinarias.
Em entrevista à Brasil Energia durante a ROG.e 2026, o head de Eletrificação e Automação da Siemens do Brasil, Fábio Koga, apresentou a tecnologia Siprotec V, lançada recentemente em Paris. A solução substitui painéis convencionais pela virtualização de até 60 relés de proteção em apenas um par de servidores redundantes. O executivo destacou que a convergência de barramentos de processo ópticos e relés virtuais reduz em até 20% a área de subestações em plataformas e diminui a pegada de carbono em até 30% pela expressiva eliminação de cabos de cobre e estruturas metálicas.
Veja os principais destaques da entrevista:
Atuação integrada de ponta a ponta
A companhia ampliou sua atuação direta no setor, integrando produtos, sistemas e serviços ao longo de todo o ciclo de vida dos projetos — da engenharia básica via gêmeos digitais à operação, retrofit e descomissionamento em plataformas e refinarias.
Lançamento do Siprotec V (relés virtuais)
Apresentada internacionalmente em agosto, a tecnologia permite rodar as funções de proteção e controle de até 60 relés tradicionais em um par de servidores redundantes de TI/TO, eliminando armários elétricos e aliviando peso e espaço em módulos offshore (topside).
Compactação e redução de pegada de carbono
A combinação de relés virtualizados com barramentos de processo (process bus) — que substituem calhas inteiras de cabeamento de cobre por pares de fibra óptica — proporciona redução de até 20% no espaço físico de subestações e corte de 25% a 30% nas emissões de carbono associadas à fabricação de metais e estruturas civis.
Economia em custos de integração
O fornecimento unificado de pacotes elétricos e de automação reduz os custos de interface e comissionamento em até 15%, além de facilitar retrofits para estender a vida útil de unidades de produção sem necessidade de reformas estruturais de grande porte.
Confiabilidade e gêmeos digitais com 100% de fidelidade
Para mitigar riscos de implantação em sistemas críticos, a empresa utiliza gêmeos digitais (digital twins) homologados que replicam com fidelidade total o comportamento dos relés físicos em ambiente virtual, oferecendo previsibilidade técnica e aderência aos padrões de cibersegurança industrial.
Perspectivas de mercado e prazo de implantação
Com experiências já implementadas nos setores de transmissão de energia (power utilities) e celulose, a tecnologia vem sendo negociada com operadoras de óleo e gás no país, com previsão de entrada em operação nos primeiros projetos offshore em até um ano.
Veja a entrevista na íntegra aqui.
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