Biometano e gás natural podem acelerar juntos a transição energética
CEO da Gás Orgânico defende complementaridade entre gás fóssil e renovável, destaca potencial do biometano e aponta inovação e gestão de resíduos como pilares para ampliar a oferta energética no Brasil
O avanço do projeto Sergipe Águas Profundas (Seap) reforça o protagonismo do gás natural no país, mas também abre espaço para o crescimento do biometano como fonte complementar de energia. Em entrevista à Brasil Energia, o CEO da Gás Orgânico, Giovane Rosa, afirmou que gás natural fóssil e gás renovável não competem entre si, mas fazem parte de uma estratégia conjunta de segurança energética, aproveitamento de resíduos e descarbonização.
Segundo ele, o Brasil reúne condições para expandir rapidamente a produção de biometano, desde que haja investimentos em infraestrutura, inovação, pesquisa e políticas públicas. E o aumento da produção de gás natural em Sergipe pode impulsionar também novos projetos ligados ao aproveitamento energético de resíduos.
Veja os principais destaques:
Nordeste ainda tem grande potencial inexplorado
Embora o mercado de biometano tenha avançado nos últimos anos, Rosa afirma que o Nordeste ainda explora apenas uma pequena parcela de seu potencial. A região reúne disponibilidade de resíduos urbanos, agroindustriais e da atividade pecuária capazes de abastecer uma cadeia crescente de produção de biogás e biometano.
Hubs de biometano serão a próxima etapa
O executivo considera que iniciativas como os hubs de biometano propostos por transportadoras de gás fazem sentido, mas acredita que esse movimento ocorrerá em etapas. Segundo ele, a primeira fase prioriza projetos já economicamente viáveis, como aterros sanitários, plantas de biogás existentes e aplicações em frotas pesadas. Em um segundo momento, a expansão deverá alcançar resíduos agrícolas, sucroenergéticos e da pecuária, conectando áreas hoje distantes da malha de gasodutos.
Infraestrutura ainda limita expansão
Na avaliação de Rosa, um dos principais gargalos continua sendo a limitada infraestrutura de transporte de gás. Enquanto a malha de gasodutos permanece concentrada no litoral, o potencial de produção de biometano está distribuído pelo interior do país. Nesse contexto, soluções como gasodutos virtuais, BioGNC, BioGNL e futuras redes estruturantes deverão desempenhar papel importante para ampliar o mercado.
Startup aposta em inovação para o setor
Fundada em 2021, a Gás Orgânico atua no desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas ao setor de biogás e biometano. Segundo Rosa, a empresa adapta tecnologias já consolidadas na indústria de gás natural para aplicações relacionadas ao aproveitamento energético de resíduos. Para ele, inovação não significa necessariamente criar tecnologias inéditas, mas utilizar soluções existentes de forma mais eficiente e adequada às novas demandas.
Plataforma pretende apoiar políticas públicas
A Gás Orgânico desenvolve atualmente a plataforma MapBill, voltada ao mapeamento da geração e destinação de resíduos nos municípios brasileiros. A ferramenta reunirá informações para identificar oportunidades de aproveitamento energético e subsidiar políticas públicas voltadas à economia circular e à gestão de resíduos. Segundo Rosa, o objetivo é permitir que municípios conheçam melhor seu potencial e atraiam investimentos para projetos de biogás, biometano e outras tecnologias de valorização dos resíduos.
Segurança energética reforça importância do biometano
Na avaliação do executivo, os recentes conflitos internacionais ampliaram a importância da produção local de energia. Além dos benefícios ambientais, o biometano passou a ser visto também como instrumento de segurança energética, reduzindo a dependência de combustíveis sujeitos às oscilações do mercado internacional. Para Rosa, o Brasil reúne recursos naturais, capacidade tecnológica e disponibilidade de resíduos suficientes para assumir posição de destaque nesse mercado, desde que haja coordenação entre investimentos, inovação e políticas públicas de longo prazo.
Assista a entrevista na íntegra aqui.
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