Armazenamento de energia sai do futuro e vira solução do presente

Revista Brasil Energia | Ibem 2026

Armazenamento de energia sai do futuro e vira solução do presente

Painel no último dia do Ibem 2026, em Salvador, reuniu especialistas para debater BESS, regulamentação e casos práticos que já mudam a conta de energia de empresas

Por Geraldo Bastos

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Painel do Ibem 2026 debateu o armazenamento de energia (Foto: Divulgação)

O discurso de futuro deu lugar ao senso de urgência. No último dia do Ibem 2026, realizado no Centro de Convenções Salvador, nesta quinta-feira (26/3), o armazenamento de energia deixou de ser promessa e passou a ser tratado como peça-chave para destravar a transição energética no Brasil.

No painel “Avanços em armazenamento de energia”, o recado foi direto: o país enfrenta uma crise de flexibilidade operacional. Traduzindo: a expansão acelerada de fontes intermitentes, como solar e eólica, exige respostas rápidas para equilibrar oferta e demanda, algo que o sistema atual ainda não entrega.

“Existe uma roda pronta, inventada e estabilizada, que é o armazenamento de energia, sobretudo em baterias. Os preços caíram drasticamente e a implementação é rápida. A gente só precisa agir”, afirmou Fábio Monteiro Soares, diretor executivo da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae).

Segundo ele, o ambiente regulatório começa a destravar. A Lei 15.269 já estabelece uma base legal, enquanto a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Ministério de Minas e Energia (MME) prometem, ainda no curto prazo, avançar com a regulamentação e leilões de capacidade. Para o executivo, o atraso agora é menos técnico e mais decisório.

“O armazenamento já é uma realidade. Está em empreendimentos na Bahia, em hotéis, hospitais, mobilidade elétrica e até na mineração. Não é o futuro, é uma solução do presente que a gente precisa investir amanhã”, reforçou. 

Resultados práticos 

Se no plano macro o desafio é estrutural, na prática os resultados já aparecem — e com impacto direto no bolso. Um dos exemplos apresentados foi o sistema implantado no Civil Towers, em Salvador, pela 3P Energia em parceria com a GreenYellow.

O projeto utiliza BESS (Battery Energy Storage Systems) no modelo de load shifting: armazena energia fora do horário de ponta, quando a tarifa é mais barata, e utiliza nos momentos de maior custo. Em um estado onde a tarifa de ponta pode ultrapassar R$ 3.200/MWh, o ganho é imediato.

“O BESS é uma solução estratégica que leva eficiência, previsibilidade e sustentabilidade ao coração das operações”, destacou Vinícius Mariano, CEO da 3P Energia.

Na prática, o sistema já garante redução média de R$ 13,5 mil mensais na conta de energia do empreendimento e atende até 90% do consumo no horário de pico. Um dado que ajuda a explicar por que o armazenamento começa a ganhar escala no setor corporativo.

Mobilidade 

O avanço também chega à mobilidade elétrica. Lucas Monteiro, da e-Drive Energy, apresentou o primeiro eletroposto com armazenamento em baterias instalado em um shopping no Litoral Norte de Salvador — um movimento que antecipa uma nova infraestrutura energética no estado.

O hub combina geração solar, com cerca de 6 mil metros quadrados de placas, e armazenamento em BESS para viabilizar recargas ultrarrápidas.  “Estamos entregando hoje, no Brasil, a maior velocidade de carga a partir de BESS”, afirmou o executivo.

A empresa já opera com 28 sistemas móveis de armazenamento, que podem ser deslocados conforme a demanda, e prevê a abertura de novos eletropostos na capital baiana nos próximos meses.

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