BNB amplia crédito para renováveis, mas esbarra na transmissão
“Depois que perdemos a Eletrobras, a gente está com uma dificuldade muito grande na infraestrutura de transmissão, e isso vem diminuindo a demanda por financiamentos”, diz o gerente da Superintendência da instituição na Bahia, Meneses Júnior
O papel do Banco do Nordeste no financiamento de projetos de energia renovável e os desafios que têm limitado o setor nos últimos anos deu o tom da conversa que o gerente da Superintendência da instituição na Bahia, Meneses Júnior, teve com a reportagem da Brasil Energia durante o The International Meeting on Brazil’s Energy Market (Ibem 2026).
De acordo com o executivo, os financiamentos para grandes empreendimentos eólicos e solares representarem o principal eixo de atuação do banco no setor de energia, e o crédito também foi estendido para micro e pequenas empresas, bem como para pessoas físicas interessadas em instalar sistemas fotovoltaicos em residências ou comércios.
De fato, nos últimos sete anos, o Banco do Nordeste financiou cerca de R$ 50 bilhões em projetos de energia renovável. E a Bahia responde, aproximadamente, por 22% a 25% desse volume, consolidando-se como o estado com maior demanda.
Meneses destacou que grande parte dos investimentos em eólicas ocorre por meio de grandes empresas estruturadas em SPEs e, no caso de energia solar, cerca de 30% dos recursos são direcionados a micro e pequenas empresas, além das pessoas físicas.
O crédito é viabilizado principalmente por meio do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), que permite taxas de juros inferiores à taxa básica, a Selic, e isso tem sido um diferencial para atrair investimentos. “Financiamos com taxas a partir de 7% ao ano, o que estimula empresas do Sudeste a se instalarem na região”, diz o executivo.
Infraestrutura de transmissão é gargalo
Apesar dos números animadores, o setor de renováveis tem enfrentado desaceleração, segundo Meneses Júnior. Em 2023, o BNB aplicou mais de R$ 12 bilhões em renováveis; já em 2025, esse valor caiu para cerca de R$ 7 bilhões.
O motivo? A limitação da infraestrutura de transmissão, segundo o executivo. Ele enfatiza que a geração cresceu muito, mas sem linhas de transmissão suficientes essa energia não consegue ser escoada para outros estados. E Isso afasta investidores, principalmente os que pretendem atuar no mercado livre.
Segundo Meneses, a situação se agravou após mudanças estruturais no setor elétrico, como o impacto da privatização da Eletrobras (hoje Axia) que, historicamente, desempenhava papel relevante na expansão da infraestrutura elétrica do país.
“Depois que perdemos a Eletrobras, a gente está com uma dificuldade muito grande na infraestrutura de transmissão, e isso vem diminuindo a demanda por financiamentos no banco porque um dos dos financiamentos que a gente direciona com os recursos do FNE para energias renováveis é também para linhas de transmissão. Então isso reduziu muito”, afirmou.
Licenças e garantias também são entraves
A falta de regularização de empresas e dificuldades no licenciamento ambiental também são desafios recorrentes no acesso ao crédito. Muitas vezes, os empreendedores chegam sem toda a documentação necessária. Isso atrasa o processo, mas é algo que pode ser resolvido com orientação adequada, explica Meneses.
Apesar dos desafios, o Banco do Nordeste mantém a perspectiva de continuidade no apoio ao setor de renováveis. A instituição atende cerca de 60 milhões de pessoas em sua área de atuação e concentra mais de 50% dos financiamentos de longo prazo na região.
”Eu acho que o desenvolvimento passa principalmente pelas pessoas, e as pessoas precisam entender a importância de buscar novos empreendimentos, fazer com que o nosso país realmente ofereça condições de melhoria e qualidade de vida para toda a população. Então o Banco do Nordeste está aí a serviço de toda a população nordestina”, finalizou o executivo.
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