Origem Energia prevê estocagem de gás em Pilar no fim de 2026
O diretor de Estocagem Subterrânea de GN da empresa, Anderson Bastos, explica o modelo regulatório do projeto pioneiro em Alagoas, o plano de expansão de R$ 1 bilhão e o papel do armazenamento como lastro de liquidez para a abertura de mercado
A Origem Energia prepara o início das operações de seu projeto pioneiro de estocagem subterrânea de gás natural no Campo de Pilar, em Alagoas, previsto para entrar em atividade comercial no final de 2026. Aprovada pela diretoria colegiada da ANP por meio de uma minuta de autorização específica, a iniciativa ressignifica a infraestrutura de reservatórios depletados para prestar serviços de flexibilidade e balanceamento a agentes de mercado.
Em entrevista à Brasil Energia durante a ROG.e, o diretor de Estocagem Subterrânea de Gás da companhia, Anderson Bastos, informou que o projeto aguarda a emissão das licenças ambientais finais para iniciar a fase inicial com injeção de 800 mil m³/dia e capacidade de estocagem de 50 milhões de m³. O executivo detalhou a projeção de investimentos futuros da ordem de US$ 200 milhões (cerca de R$ 1 bilhão) para expandir o ativo até 2032 e defendeu a estocagem subterrânea como o lastro físico indispensável para conferir liquidez, mitigar a intermitência de fontes renováveis e destravar a abertura do mercado livre de gás no país.
Veja os principais destaques da entrevista:
Arcabouço regulatório sob medida
Diante da ausência de uma regulação infralegal genérica consolidada para estocagem subterrânea de gás no país, a ANP construiu uma minuta de autorização específica para o Campo de Pilar. O ato fixou as regras de operação do ativo e a exigência de segregação física e de fluxo de massa entre as atividades de E&P e as de armazenamento.
Cronograma e licenciamento ambiental
A infraestrutura física da primeira fase está pronta, restrita à inspeção, manutenção e adequação de poços, linhas e compressores preexistentes. Aprovada a licença prévia em 2025, a empresa projeta a emissão da licença de instalação e a obtenção da licença de operação para dar a partida operacional ainda em 2026.
Fases e escala de capacidade
Fase 1 (piloto/mercado inicial): Aporte de US$ 20 milhões, com capacidade de injeção de 800 mil m³/dia, retirada de 500 mil m³/dia e armazenagem de 50 milhões de m³.
Fase 2 (expansão 2030–2032): Aporte previsto de US$ 200 milhões em novas instalações de compressão e incorporação de reservatórios adicionais, ampliando as capacidades para 4 milhões de m³/dia (injeção), 2,5 milhões de m³/dia (retirada) e 250 milhões de m³ (volume estocado). A formação geológica de Pilar, com cerca de 500 zonas reservatórias fragmentadas, favorece o escalonamento modular.
Lastro para liquidez e abertura de mercado
Bastos traçou um paralelo com a evolução do setor nos Estados Unidos e na Europa, enfatizando que mercados competitivos exigem garantias físicas de entrega. No cenário brasileiro, a estocagem assume o papel anteriormente exercido pela Petrobras, assegurando lastro aos novos comercializadores e evitando desbalanceamentos de rede.
Integração com termelétricas e renováveis
O ativo fornecerá suporte de despacho rápido para usinas térmicas de flexibilidade — incluindo projetos de leilão de reserva de capacidade (LRCAP) vencidos pela própria Origem Energia —, amortecendo as flutuações e a intermitência decorrentes da maior inserção de parques eólicos e solares no Sistema Interligado Nacional (SIN).
Veja a entrevista na íntegra aqui.
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